Ansiedade

Juliana é uma estudante de pré-vestibular de 19 anos que relata ficar aterrorizada ante a possibilidade de falar em classe. Sua ansiedade é tão grande que prefere se sentar no fundo da sala, reclinando-se em sua cadeira de forma a tornar-se o mais invisível possível. Quando os professores, bastante carismáticos, chamam aleatoriamente os alunos para responder a certas perguntas, Juliana começa a suar e a tremer. Em alguns momentos, não suporta tal estresse e sai correndo da sala de aula. Em outros, prefere faltar às aulas, com medo de ser testada na frente dos professores e colegas. Este caso enuncia o transtorno de ansiedade social, um medo acentuado de situações sociais em que o indivíduo pode ser examinado por outros. Mesmo um simples ato, como beber ou comer, pode provocar sintomas de medo ou ansiedade.

Paulo é um pai de três filhos, casado, empresário, de 39 anos, que busca ajuda profissional após não conseguir mais controlar seus sentimentos de ansiedade. Apesar de ter uma vida financeira relativamente estável, fica preocupado a maior parte do tempo com a possibilidade de enfrentar problemas financeiros após a atual situação política do país, que seus filhos fiquem doentes e de que sua esposa o abandone. Mesmo achando tais ideias excessivas, não consegue se livrar destes pensamentos. Tem dificuldade de dormir à noite porque estes pensamentos o seguem mesmo no decorrer da madrugada. Durante o dia é inquieto e tenso e chega a tremer e a suar por conta da sua tensão. Uma vez que apresenta sintomas de falta de ar, palpitação, dores por todo o corpo, fez diversos exames de imagem e de laboratório, todos negativos para um diagnóstico físico. Este caso, bastante típico, mostra um exemplo de transtorno de ansiedade generalizada. Tem essa denominação porque não há um foco específico, ou seja, as pessoas sentem-se ansiosas a maior parte do tempo, mesmo sem saber dizer o porquê. Ao visualizarem uma situação no futuro, na maioria das vezes, observam um desfecho catastrófico, de pessimismo.

O aspecto determinante dos transtornos de ansiedade é a sensação de medo sobre o que poderia acontecer no futuro, de modo que pode causar dificuldades, para estas pessoas, funcionarem no dia a dia. Experimenta-se, também, a evitação, ou seja, fazem o possível para evitar situações que provoquem essa resposta emocional, tão indesejável. Como resultado, passam a viver em intensa vigilância e têm dificuldade em realizar seus trabalhos, desfrutarem de seus momentos de lazer ou participar de atividades sociais com familiares ou amigos.

Envolvem todas as faixas etárias, sendo que, em algumas, há transtornos mais específicos, como o mutismo seletivo (recusa a falar em situações específicas, com mais frequência em sala de aula, por crianças que não apresentam transtornos na fala) e o transtorno de ansiedade de separação (ansiedade intensa e inadequada com relação a afastar-se de casa ou dos cuidadores além do que é apropriado para a idade), presentes em crianças. Nos idosos, sabe-se que uma parcela muito pequena, apenas 8% da população idosa, recebe diagnóstico e tratamento adequado para transtornos de ansiedade.

O tratamento envolve o uso de medicamentos e alguns tipos de Psicoterapia. A consulta, por si só, tem um efeito terapêutico.

Tags: Adulto, Criança e Adolescente, Idoso

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