Voltar para BlogSaúde Mental

Ansiedade: quando procurar um psiquiatra?

Dr. Pedro Henrique18 de agosto de 20267 min de leitura

Procure um psiquiatra quando a sua ansiedade for intensa, aparecer na maior parte dos dias e atrapalhar sua vida: trabalho, sono, relacionamentos ou saúde física. Ansiedade pontual diante de um desafio é normal e até útil. Ansiedade constante, desproporcional e difícil de controlar é doença, e doença tratável.

Cerca de 30% da população terá um transtorno de ansiedade ao longo da vida. Mesmo assim, a maioria demora anos entre o início dos sintomas e a primeira consulta. Vou lhe ajudar a encurtar esse caminho.

Ansiedade normal ou transtorno de ansiedade?

A ansiedade normal tem três características: é proporcional à situação, é passageira e não impede você de viver. Ficar apreensivo antes de uma prova ou de uma reunião importante é o corpo se preparando.

O transtorno de ansiedade inverte tudo isso:

  • A preocupação é desproporcional ou aparece sem motivo claro
  • Está presente na maior parte dos dias, por meses
  • Você não consegue controlar os pensamentos, mesmo sabendo que são exagerados
  • Ela cobra um preço: noites mal dormidas, procrastinação, evitação de situações, irritabilidade, cansaço

A ansiedade fala pelo corpo

Este é o ponto que mais atrasa o diagnóstico. A ansiedade produz sintomas físicos reais: palpitação, falta de ar, aperto no peito, tontura, formigamento, dores musculares, problemas digestivos. É comum o paciente passar por cardiologista, gastroenterologista e pronto-socorro, com exames repetidamente normais, antes de alguém pensar em ansiedade.

Se os seus exames estão normais e os sintomas continuam, esse é um forte indício de que a origem é emocional. Não significa que os sintomas são "invenção": eles são reais, o mecanismo é que é outro.

Sinais claros de que é hora de procurar ajuda

  • Preocupação constante que você não consegue desligar
  • Crises súbitas de medo intenso com sintomas físicos (possíveis ataques de pânico)
  • Evitar lugares, tarefas ou pessoas por causa da ansiedade
  • Insônia frequente ligada a pensamentos acelerados
  • Uso de álcool ou calmantes por conta própria para conseguir funcionar
  • Prejuízo visível no trabalho, nos estudos ou nos relacionamentos

Um item já basta para justificar uma avaliação. Você não precisa esperar o quadro piorar para "merecer" a consulta.

Como o psiquiatra trata a ansiedade?

O tratamento é individualizado e costuma combinar:

  1. Psicoterapia, em especial a terapia cognitivo-comportamental, com eficácia comprovada nos transtornos de ansiedade
  2. Medicamentos, quando indicados: os mais usados são os antidepressivos, que tratam a ansiedade de forma contínua e não causam dependência. Ansiolíticos benzodiazepínicos, quando entram, são usados por curto prazo e com critério, justamente por causa do risco de dependência no uso indiscriminado
  3. Mudanças de hábito: sono regular, atividade física, redução de cafeína e álcool. Parecem simples e têm efeito mensurável

A própria consulta já tem efeito terapêutico: entender o que você tem, e saber que tem tratamento, costuma trazer o primeiro alívio.

"Mas todo mundo é ansioso hoje em dia..."

Essa frase minimiza um sofrimento que tem tratamento. Viver em alerta constante não é o preço inevitável da vida moderna. A diferença entre "jeito ansioso" e transtorno de ansiedade é justamente o sofrimento e o prejuízo. E quem define isso é uma avaliação profissional, não o senso comum.

O melhor ainda está por vir!

Se você se reconheceu neste artigo, considere dar o próximo passo. A ansiedade responde muito bem ao tratamento: a grande maioria dos pacientes recupera o controle da própria rotina. Quanto antes você procurar ajuda, mais curto é o caminho de volta.

Dr. Pedro Henrique Meneses

Dr. Pedro Henrique Meneses

Psiquiatra

  • Médico, Universidade Federal do Espírito Santo, 2011
  • Psiquiatra associado, Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), 2012
  • Médico Psiquiatra, Instituto Philippe Pinel do Rio de Janeiro, 2015
  • Psiquiatra da Infância e da Adolescência, CARIM-IPUB, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2016
  • Especialista em Terapia Cognitivo-comportamental, Instituto WP de Santa Maria, Rio Grande do Sul, 2018
  • Emergência Psiquiátrica no Hospital Adauto Botelho (Hospital Estadual de Atenção Clínica)