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Primeira consulta com o psiquiatra: como funciona?

Dr. Pedro Henrique18 de agosto de 20267 min de leitura

A primeira consulta com o psiquiatra é, essencialmente, uma conversa longa e sigilosa: o médico escuta sua história, entende seus sintomas, sua rotina e sua saúde física, e constrói com você um plano de cuidado. Não há exames dolorosos, não há julgamento e você não é obrigado a sair com uma receita.

Sei que dar esse primeiro passo custa. Muita gente adia a consulta por meses: por medo do que vai descobrir, por vergonha ou pelo velho preconceito do "psiquiatra é médico de louco". Vou lhe mostrar o que acontece de verdade, para você chegar tranquilo.

O que acontece durante a consulta?

  1. Você conta o que o trouxe. No seu ritmo, com suas palavras. Chorar é permitido; organizar um discurso perfeito, desnecessário.
  2. O médico faz perguntas. Sobre sono, apetite, energia, trabalho, relacionamentos, uso de álcool e outras substâncias, doenças na família, medicamentos em uso. Cada pergunta tem um propósito diagnóstico.
  3. Sua saúde física entra na conversa. Alterações da tireoide, anemia e outras condições imitam sintomas psiquiátricos. Exames de sangue podem ser solicitados para afastar essas causas.
  4. Vocês conversam sobre o diagnóstico, ou sobre as hipóteses, quando ainda é cedo para fechar uma.
  5. O plano é combinado, não imposto. Medicamento, psicoterapia, mudanças de hábito, retorno: você entende o porquê de cada item e participa da decisão.

Quanto tempo dura?

Uma primeira consulta bem feita é longa. No meu consultório, ela não tem pressa: o tempo necessário para ouvir sua história inteira. Desconfie de avaliação psiquiátrica inicial de dez minutos.

O que levar?

  • Lista dos medicamentos que você usa, com doses (ou fotos das caixas)
  • Exames recentes, se tiver
  • Relatórios de outros médicos ou do psicólogo, se houver
  • Suas anotações: sintomas, desde quando, o que piora e o que melhora

Nada disso é obrigatório. A consulta funciona mesmo se você chegar só com a sua história.

Perguntas que você pode (e deve) fazer

  • Qual é o meu diagnóstico? E o que ele significa na prática?
  • Quais são as opções de tratamento? O que acontece se eu não tratar?
  • Esse medicamento tem efeitos colaterais? Vicia? Por quanto tempo vou usar?
  • Quando devo sentir melhora? E se não melhorar?

Médico bom gosta de paciente que pergunta. A adesão e o resultado do tratamento melhoram quando você entende cada escolha.

"Vou sair de lá medicado?"

Não necessariamente. O medicamento entra quando há indicação clara, e sempre com a sua concordância. Em muitos casos, o plano inicial é psicoterapia e mudanças de hábito, com reavaliação marcada. Quando o remédio é indicado, começar cedo costuma encurtar o sofrimento. Antidepressivos, por exemplo, não causam dependência, ao contrário do mito.

E o sigilo?

Tudo o que você disser é protegido pelo sigilo médico, garantido por lei e pelo Código de Ética Médica. Isso inclui adolescentes: o que o paciente conta ao médico tem proteção, com raras exceções ligadas a risco de vida.

O melhor ainda está por vir!

A primeira consulta é o passo mais difícil, e é só uma conversa. Se você vem adiando, considere este artigo o empurrão que faltava: sofrimento persistente tem nome, tem diagnóstico e, quase sempre, tem tratamento eficaz.

Dr. Pedro Henrique Meneses

Dr. Pedro Henrique Meneses

Psiquiatra

  • Médico, Universidade Federal do Espírito Santo, 2011
  • Psiquiatra associado, Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), 2012
  • Médico Psiquiatra, Instituto Philippe Pinel do Rio de Janeiro, 2015
  • Psiquiatra da Infância e da Adolescência, CARIM-IPUB, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2016
  • Especialista em Terapia Cognitivo-comportamental, Instituto WP de Santa Maria, Rio Grande do Sul, 2018
  • Emergência Psiquiátrica no Hospital Adauto Botelho (Hospital Estadual de Atenção Clínica)